Domingo, Outubro 28, 2007
dormi ouvindo sua respiração.... acordei e você ainda estava lá.
me pareceu a melhor coisa do mundo..
por onde andei que não te achei antes?

por M. Barretto às 2:15 AM
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ODEIO DOMINGO!



tá bom, eu assumo, sim, estou apaixonada (entende o sentido oculto nessa palavra? não, não me refiro ao sentido dos dicionários, nem tente, é algo bem melhor que isso! vai além desse mundinho palpável), e não; não vai passar em 3 semanas dessa vez.
ODEIO DOMINGO! ODEIO!!!!!!!!!



por M. Barretto às 2:09 AM
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Segunda-feira, Outubro 08, 2007
A quem estou tentando enganar? Porque nunca consegui enganar alguém além de mim mesma, mas agora nem a mim mesma é possível (por enquanto). Cansei tanto das pessoas e de todos os sentimentos dolorosos, estou tentando de verdade sobreviver, mas meu egoísmo está tão erguido, tão iluminado e evidente que não posso traze-lo pra perto ou voltar a controlar minha indiferença. Tão estupidamente me esquivo de todos aquele que brincam de salvar minha vida, e pensei que era só uma fase ruim, mas não, eu já sou uma fase ruim todo o tempo, e preciso de coisas piores pra sorrir novamente... foi nessa que te encontrei (na verdade ninguém encontrou ninguém, apareceste num segundo atravessando a rua como um Beatle, nem sei de onde isso veio, mas eu decorei cada passo e ainda me lembro), logo eu que estou começando a me tornar todas aquelas palavras sensacionalistas que adoro; canalha, cretina, cafajeste e cafetina, tudo que eu menos precisava era de uma pintura ambulante (já te disse como pareces de verdade óleo sobre tela e café e não carne e osso? não, não disse porque não diria.).
Admirei tanto a mesma foto tua, que a água pro café evaporou, queimei a panela e nem o cheiro senti, talvez eu não sinta nada, ou realmente há algo de errado com meus pulmões... e eu sei que há, por isso dei férias e eles, não mais colecionarei suspiros, porque não, não, não, dessa vez não estou apaixonada, não por ti, mas pelas tuas cores; tão lindas que poderia descansar meus olhos sobre tua figura e observar cada detalhe, pareces uma pintura sim, eu sabia desde o inicio, talvez por isso eu tenha pintado como condenada esses últimos três dias.
Era isso que faltava e eu não sabia, era isso que eu esperava sem conhecer; um sentimento psicótico e honesto que não precisa de cura, o tipo de felicidade que ninguém inveja porque nunca saberiam o quanto vale, sentimentalismo breve e engraçadinho, vai passar logo, mas não deixa de ser bonito porque nem dói quando vais embora, sinceramente, nada vindo de ti consegue me machucar...
Só preciso saber se vou te encontrar por aí, quase sem querer, para decorar tuas cores, voltar sozinha pra casa, e pintar o teu rosto...

teu - na verdade meu; "Every portrait that is painted with feeling is a portrait of the artist, not of the sitter."

por M. Barretto às 4:27 AM
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NÃO, NÃO FAÇA ASSIM, NÃO FAÇA NADA POR MIM, NÃO VÁ PENSANDO QUE SOU TEU!



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por M. Barretto às 4:26 AM
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Sexta-feira, Setembro 28, 2007
Dou minha cara a tapas novamente, e assim faria quantas vezes precisasses bater. Porque carregas a maior dor do mundo, e eu não posso dividir isso contigo. Mastigaria tua infelicidade, roubaria todo teu sofrimento, e colecionaria sorrisos para te dar de presente.
E não me interessa mais contar os teus amantes e apostar quanto tempo dura, não interessa mais chorar todas as noites por alguém que já está eternamente chorando sem lágrimas, é quase um oficio isso de sobreviver as dores, e se fosse remunerado estaríamos ricas. Mas eu.... tenho sorte até demais. E sou tão feliz ainda que corrompas minha alma a cada encontro, ainda que me enganes docemente, eu perdoei e não há nada para culpar, e nem motivos de reclamação. Me conformei, porque sim, “eu preciso dos teus comebacks

por M. Barretto às 4:51 PM
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você é um enganador... mas sim, eu não sou flor que se cheire!

ты - обманщик, да и я - не припевочка!


escrevi assim, na tua calçada, com giz. mas.... a chuva apagou e você não entende russo.
você ainda lembra da música?

por M. Barretto às 1:37 AM
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Quarta-feira, Setembro 26, 2007
meu nome é mariana, eu fedo a terebintina,vivo suja de tinta e ando tão apaixonada pelas cores que comeria tinta e chuparia pincel, na verdade não passo de um acidente nada profissional e nem um pouquinho artístico. essa tal de inspiração não existe, uma sábia loira me contou um dia, e como ela estava certa! mas e no fim disso tudo, todo sentimento que depositei não foi devolvido, tudo está bem quando acaba bem... (acabou? não sei).
sou sagitariana, temperamental, não sorrio quando estou feliz, tenho expressão facial em excesso ou sempre pareço entediada sem querer, escandalosa, apaixonada por tudo e por todos, até hoje só cheguei a odiar uma pessoa (mas é amor, assumo), penso que zemfira, renato russo e beatles são as coisas mais geniais do universo (isto é; se existe vida em marte, eles não fazem um rock tão bom), fico mole quando alguém fala russo comigo (com sotaque moscovita), não gosto de poloneses e/ou aquela gente que nasceu em lugares terminados em “ão” (você sabe, né? cazaquistão, uzbequistão e por aí vai...) , também não gosto de açúcar. não como carne nem que a zemfira me peça com “jeitinho” e ainda assim vos digo; vegetarianos são detestáveis! sim, outro talento meu é a facilidade de assumir preconceitos, geralmente os sarcásticos são sinceros, raramente hipócritas (e sabem bem; psicóticos honestos não precisam de cura). já disse que sou sagitariana com ascendente, lua e paraíso astral em áries e meu signo japonês é dragão? é! é isso.. se isso te disser alguma coisa.
vivo uma vida de sacanagens puras e não de pura sacanagem, cazuza entenderia toda minha cretinice e o tio manfrê todos os meus suspiros... aliás, por isso fumo, para suspirar disfarçadamente e dizem os meus amigos russos (desses russos malvados que socam a mesa e te chamam de estúpida com um sorrisinho bêbado no rosto) que eu fumo mais que santo de terrero rico em dia de festa (como eles sabem destas coisas? se abrasileiraram muito ou eu arrusei). já disse que meu russo parece fodóvsky? acho que só parece... depois da terceira dose de vodka. aliás falando em russos, isso de escrever interrompendo toda hora com parênteses é bem Nabokoviano (coisa de Nabokov, sabe?). também amo cachorros, cavalos, pingüins, ferrets, ratos, suricatos, sapos, cobras e lagartixas (desses todos eu só não tive suricato e pingüim, mas o pingüim eu tatuei um no ombro esquerdo só pra não traumatizar). e sim, como me esqueci? tatuagens! tenho 5 e passaria horas falando sobre cada uma, estão em posições estratégicas, por motivos estratégicos e foram todas bem pensadas (meu orgulho).
se quiser saber mais que isso, me paga um café (mais que um de preferência, ganância nunca é demais), e pode fazer perguntas, responderei a todas com alegria se me prometer que não vai acreditar em terceiros, pois, meu bem, eu moro na tijuca (e a velocidade da fofoca tijucana desafia as leis da física, right?), traga também longas histórias (russos amam historias longas, estou com eles), e aceito teu malboro vermelho se meu Kent III acabar (lembrando que: só existem dois tipos de fumante; os que fumam para aparecer e os que fumam para sumir. se você for a primeira opção nem venha).
até.

por M. Barretto às 11:38 PM
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Sábado, Setembro 22, 2007

La Solitudine




Eu posso continuar aqui batendo minha própria cabeça na parede até ficar inconsciente e não conseguir mais levantar de dor, eu posso continuar arranhando os braços até sangrar, estalando os dedos até quebrar, continuarei fumando e gritando até perder a voz, continuarei andando até sair da cidade, mas eu juro, eu nunca-mais-vou-chorar.
Nunca mais vou chorar, repita, nunca mais vou chorar, não por você.

“parece cocaína mas é só tristeza, e de qualquer forma quem volta sozinho pra casa sou eu.”

Por favor, telefone! arranje uma ótima desculpa, eu perdôo, só não me faz entender que você mentiu, mentiu e mentiu, pela milésima vez... e eu... acreditei! Acreditei e acreditei, pela milésima vez.
E acreditaria mais mil vezes, tudo que você tem que fazer é telefonar e dizer que não foi por mal.
mas eu... eu menti muito mais, acredite dessa vez, foi sincero o que eu senti.


- alô?
- eu te amo.
- eu sinto muito, ela não mora mais aqui.
tu-tu-tu-tu


por M. Barretto às 9:00 PM
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Sábado, Setembro 08, 2007



"Querida Vária, sua breve carta a cerca das flores proporcionou-me fazer aquilo que não me decidia há muito tempo: escrever-lhe. Assim já não terei de me censurar por ter iniciado a correspondência com você; estou apenas respondendo.
Escrevo-lhe porque assim ficará um pouco mais próxima de mim, o que me dá grande alegria.
Reli sua pequena carta muitas vezes. Ela é a primeira da história do nosso relacionamento. Esforço-me por compreender cada palavra sua, interpreta-la de uma e de outra maneira, encontrar um sentido oculto; às vezes parece-me haver numa frase certas palavras meigas, mas depois recordo-me do seu habitual comedimento e não sei o que pensar, pois não ouço a entonação da sua voz.
Perdoe-me se o meu modesto presente lhe causou um certo transtorno; fique descansada que não volta a acontecer, prometo.
Não consigo esquecer do seu ‘deixar como está’, que me atirou das escadinhas do bonde.
Para um desconhecido, esse ‘deixar como está’ significa a autorização para continuar um relacionamento há pouco iniciado. Mas para mim, esse ‘deixar como está’ significa apenas ‘Até a vista’; contudo, infelizmente, não alude a nenhum encontro.
Se você tivesse dito ‘telefone-me’, isso significaria não só permissão, como ainda um desejo. Ninguém diz ‘telefone-me’ no dia em que se trava conhecimento com alguém.
Recorda-se do Jardim Aleksandrovski? Poças de água. Seus sapatos. A muralha do Kremlin. A gruta de Vênus. O pequeno buraco na meia. O assobio do guarda. Nossa fuga. Os portões bloqueados com um banco de jardim Hurra! Estamos salvos. Conseguimos enganar o guarda. Todo o nosso passeio foi tecido por um numero infinito de gotas de chuva...
Diga-me qualquer coisa...
Você é muito peculiar e difícil de entender.
Tenho a idéia que lhe aconteceu alguma coisa de desagradável, e como gostaria de poder ajudá-la, de conforta-la. Quando era casada, apesar de não saber nada a cerca de sua vida, compreendi tudo. Queria ajuda-la mas não sabia como proceder.
Ontem à tarde tive um serviço para fazer na Rua Arbat, passei ao lado de sua casa, cheguei a apanhar o bonde 31 na estação, virei a cabeça para todos os lados, mas nada... não a vi.
Vária, será que você me permite acompanha-la até sua casa sem a presença de Zóia?
Como foi difícil estabelecer com você aquele contato imperceptível que surge quando duas pessoas estão juntas e bem-dispostas.
Bastava uma só palavra sua para que se estabelecesse essa ligação, seria tão bom... Assim, na próxima vez, terei de começar tudo do princípio.
Uma vez quando esteve doente, decidi visita-la sem avisar (na qualidade de diretor tenho a obrigação de zelar pela saúde dos meus subordinados. Subi as escadas, parei junto a sua porta, ia tocar a campainha, mas assustado, com não sei o quê, talvez receasse que você me recebesse com frieza, desci as escadas correndo e fui para casa. Nunca lhe contara este incidente.
Gosto muito de música, costumo ir ao conservatório; como gostaria de ouvir música ao seu lado...
Perdoe-me ter-lhe escrito uma carta tão longa. Preciso me sentar com você na amurada da marginal e olhar para as pessoas que passam. Como são exatas e espirituosas as análises que Vária faz das pessoas. Preciso que deixe cair uma flor na praça para eu apanhar, pois são as pequenas coisas que enriquecem as sensações.
Passamos o dia inteiro no emprego, porém, é justamente isso que nos separa.
Escreva-me ao menos umas palavrinhas, uma carta tipo telegrama, assim estaremos de novo sozinhos. E eu respondo-lhe. Gostaria que minhas cartas fossem um prazer pra você.
Quando daquela primeira vez entrou no Restaurante Nacional, tinha na cabeça um chapéu de aba. E quando o tirou, eu vi seus enormes olhos, puros e inocentes.

Igor Vladimirirovitch

P.S.: Escrevi esta carta um ano atrás, mas n”ao me decidi a envia-la. Mando-a agora sem alterar uma única palavra, porque também nada se alterou no amor e na admiração que sinto por você."


(Filhos da Rua Arbat, Parte II - Anatoli Ribakov)


por M. Barretto às 9:42 PM
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Terça-feira, Agosto 21, 2007
Ela cantou assim, e a música era sobre você:

You're too far to bring you close
And too high to see below
Just hangin' on your daily dose

I know you never needed anyone
But the rolling papers for your grass
How can you give what you don't have

You keep on aiming for the top
And quit before you sweat a drop
Feed your empty brain
With your hydroponic pot
Start out playing with yourself
You get more fun within your shell
Nice to meet you but I gotta go my way

I'll leave again 'cause I've been waiting in vain
But you're so in love with yourself
If I say my heart is sore
Sounds like a cheap metaphor
So I won't repeat it no more

I rather eat my soup with a fork
Or drive a cab in New York
'Cause to talk to you is harder work

So what's the point of wasting all my words
If it's just the same or even worse
Than reading poems to a horse

You keep on aiming for the top
And quit before you sweat a drop
Feed your empty brain
With your hydroponic pot
I bet you'll find someone like you
'Cause there's a foot for every shoe
I wish you luck but I've other things to do

I'll leave again 'cause I've been waiting in vain
But you're so in love with yourself
If I say my heart is sore
Sounds like a cheap metaphor
So I won't repeat it no more



por M. Barretto às 4:50 AM
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Sábado, Agosto 18, 2007
estou no lugar certo dessa vez... no frio certo, e faz frio; todo-o-tempo.
feliz... feliz.. feliz.. mesmo sabendo que não vens... não vens..como sempre.
sinto que nunca mais choraria se pudesses me ver... e brincar de sol durante a noite.

sinto muito não ter dito pessoalmente, mas tens um sorriso... lindo.

por M. Barretto às 10:37 PM
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Sexta-feira, Julho 13, 2007
Algumas pessoas fumam para aparecer, já outras para sumir, eu gloriosamente e não felizmente pertenço ao último grupo. Dediquei o dia de hoje a arrumar o salão onde durmo, já te contei que nunca tive um quarto, e tudo que encontrei além fotos antigas e poeira foram coisas tuas, estão por toda a parte, a cada caixa de sapato que abro vejo teu rosto, tua foto em tantas poses, tuas cartas, tua letra, teu, teu, tudo teu, minha vida pertenceu a ti um dia, e os vestígios serão eternos.
Tudo arrumado. Eu sento para admirar minha obra, ah, sonho todos os dias que ainda tens um tempo, que ainda lembra deste endereço e que talvez venha ler secretamente para saber como estou, e depois fecharás a janela deste computador e continuará a vida como se nada fosse lido, como se estas linhas nada pudessem dizer, nada que faça essa cabeça dura compreender que eu estou completamente perdida (ainda que não seja um problema, mas sim um fato que se renova e renova como a energia de minhas mãos).
Na verdade, se eu realmente soubesse que poderias ler tudo isto, por certo eu nada escreveria, não citaria teu nome que me é tão sagrado, não comentaria sobre todos esses fatos que entregam minha obsessão por ti de forma tão imoral (amor, não! Sou e estou obcecada). Eu procurei pensar em outras coisas, durante todo esse tempo, mesmo sem te ver, acho até que estou indo bem, mas o efeito da tranqüilidade passa, como hoje passou reencontrando fotos e cartas ainda com teu cheiro, eu as coloquei em uma gaiola e tranquei, depois a pendurei na parede perto de um enorme quadro da Marilyn Monroe que pintei ontem, tudo que tenho feito é pintar e eu gostaria que pudesses ver, não são mais os cachorrinhos alegres e nem os cavalos afeminados de antes, agora são coisas concretas, tristeza viva em tela e tinta, e a cada pincelada tento extrair alguma lembrança (que é tudo que sobrou de nós), e amargamente me vem a memória junto com as cores, a frase “se eu perde-la, não sei, não sei o que faria”, e hoje realmente, não sei o que faço. Procurei alguém pra conversar, mas decidi por hoje não falar mais no teu nome... teu nome, ele é tão lindo... tão lindo que eu choro por dentro todo o tempo, por favor, não se esqueça, não se esqueça de mim. Venha me visitar, guarde a lembrança de como estou agora, eu mudei física, mental e fisicamente, te espero todos os dias de minha vida.
Eu sinto, sinto tua falta da maneira mais cruel, exatamente por saber que estás em vida, e não posso ver-te simplesmente por não ser do teu interesse tal acontecimento, isso dói, dói tanto como a morte, então por favor, eu imploro que apareça, me deixe saber, me deixe saber como ainda posso sorrir sendo tão infeliz, me deixe saber o que me manteve de pé durante esses anos, me deixe saber... que és tu... todos os motivos para viver em meu mundo de mentiras. Tira de mim toda essa infelicidade cretina que ainda me permite imperdoavelmente sorrir.

por M. Barretto às 7:48 PM
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Quarta-feira, Junho 06, 2007
Às vezes até acho graça estar doente novamente, ênfase no novamente por rimar e por ser real. Sento, cruzo as pernas entediada, ligo a TV, o DVD, blasfemo ou agradeço a tecnologia, e assisto Deti Arbata inteiro sem me cansar, não tomo meu café, não fumo meu cigarro, resistindo ou não, assim será enquanto eu não souber ver a vida lá fora, vou continuar aqui dentro, acreditando num Romeo i Dzhul'etta sovetskikh vremen (Romeu e Julieta dos tempos soviéticos) de 705 minutos e um feliz pra sempre acima da palavra fim, como eu gostaria de rir disso, mas dói.
Costumava achar que a loucura nunca esteve tão perto, e agora pareço ter esquecido ou não consigo lembrar, talvez por já ter enlouquecido sem perceber, enlouquecido tranquilamente, conformada, de estúpido e desmerecido modo, feliz.
Mas deixe-me contar coisas não tão concretas assim. A mocinha desta série se chama Vania (ou Varenka, ou Varya, ou Varinka, variações de acordo com tua intimidade), é uma mocinha inteligente, que mexe as mãos teatralmente, de voz agradável, de vogais fechadas e guturais, falando um russo bonito, mãos compridas e cabelo curto, me lembra muito você. Talvez por isso durante os últimos meses não faço nada além de assistir esta série, para fechar os olhos quando Varya entrar em cena, bem... talvez amanhã eu já tenha decorado algumas falas que não merecem ser repetidas por minha voz rouca.
Acho que sou um diretor falido disfarçado em brutos trajes dignos de um operário soviético. Dirijo meus filmes imaginários, já entrando em cena como se eu fosse o vilão, e meus olhos fossem câmeras (sem cortes), repetindo os passos daquele livro "1984" do George Orwell, "O grande irmão está te vigiando", eu gravo tudo que vejo, t-u-d-o, roubo teus melhores atos e os repriso, sem querer canso tua alma, relembrando, relembrando, o mesmo filme, sem parar... se pudesse mostrar ao mundo as imagens que já gravei de ti... ah, se o mundo soubesse, ah, se ele soubesse....

por M. Barretto às 4:58 PM
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Quinta-feira, Maio 31, 2007
Consegui combinar duas palavras contrárias que descrevam exatamente quem ela foi pra mim; nunca e sempre, ambas são providas de eternidade e quando conjugadas no futuro vêm acompanhadas de mentira.
Como você sabe que nunca fará algo ou que sempre irá faze-lo até o fim dos dias? Duvido de quem carregue essa certeza.
Hoje lhe telefonei para ficar calada, isso eu considero normal, estranho é ouvir sua voz... e não desejar morrer.

por M. Barretto às 11:34 PM
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Segunda-feira, Maio 21, 2007
Frio, um prazer quase carnal, a rua escura escondia um grupo de 5 rapazinhos, e eu entre eles (o que aos olhos alheios também se contava como "um rapazinho"), longos dedos ágeis e compridos enrolavam a seda, 20 olhos curiosos observavam ao redor, será que os tiras viriam ou não? Tosses, risos abafados, cheiro da preocupação exala nos corpos gelados, e a risível frase "a carioca está ficando ligeira" (gíria que demorei um tempo pra entender). "Está pronto" eu disse triunfante e recebi como respostas 8 olhos ansiosos sobre mim, uma voz sussurrou "a mina é boa nisso...isqueiro?", "eu tenho", "caneta bic?", "tenho aqui também.", "ah, só falta ter colírio!", "também tem", "ela está ficando ligeira!".
Eu sempre quis dizer isso; rapazes de São Paulo não babam no baseado, não fazem muito barulho e não se exibem quando fumam, é um ritual silencioso, tranqüilo, me choca de maneira agradável.
Lá estávamos nós, voltando para casa, dirigindo aquele carro estilo On the Road, sem sentir as próprias pernas, eu e os 4 rapazes de São Paulo, com os olhos agora vermelhos graças a algo verde vindo do Rio de Janeiro, quantas cores, sim quantas cores!
A vida é irônica, e eu não vejo a menor graça em algumas dessas grandes piadas, e se nós rimos aquela noite foi quando lembramos de tudo e nos perguntamos o porquê da nossa grande preocupação, afinal não fizemos nada de errado, e quem foi que disse que é errado? Quem pode me dizer o que é imoral? Quem pode entender de solidão? Defina i-m-o-r-a-l, vamos lá! defina! Não se pode.
No final da avenida, uma risada sinistra corta o silêncio (que depois, com vergonha, percebi ser minha) "rapazes, sabe aquele papel? Foi lá que anotei o telefone da....", "nãããão!!!"
Sim, nós fumamos o telefone de um guria...
bonita.

por M. Barretto às 2:29 AM
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meu nome é ana, não, mariana!, ana é a anechka, não, a anita, você entende, mas se quiser menos confusão, procure a bruna,talvez você queira algo mais russo, tente terapia através de música, ou simplesmente me escreva contando que esteve aqui. obrigada.



assim tudo começou: